Assinala-se esta quarta-feira o Dia Internacional dos Canhotos, criado em 1976 por Dean R. Campbell, fundador do Clube dos Canhotos, para celebrar cerca de 10% da população mundial que vive num mundo desenhado para destros — e também para sensibilizar para os desafios diários que enfrentam, desde tesouras e abre-latas a guitarras.
A história não foi simpática para quem escreve com a esquerda. Na Idade Média, ser canhoto podia significar ligação ao diabo ou à magia negra, conhecida como “o caminho da mão esquerda”. Textos religiosos davam primazia à mão direita e, em várias línguas, o termo “esquerda” ganhou sentidos negativos: “sinistro” vem do latim para “esquerda”, em francês “gauche” significa desajeitado e, em alemão, “linkisch” descreve alguém trapalhão.
Até há poucas décadas, o preconceito também se refletia na escola. Escrever com caneta de aparo implicava borrões inevitáveis e, em muitos países, as crianças eram obrigadas a mudar de mão, chegando a ter a esquerda atada atrás das costas — prática documentada dos EUA à Rússia e Taiwan.
Ainda hoje, em países como Índia, Paquistão, Nepal e em parte do Médio Oriente, usar a mão esquerda para comer ou receber algo é visto como rude, associando-se a hábitos de higiene.
A ciência também tem algo a dizer: ser canhoto é mais frequente entre homens e está ligado a maior probabilidade de enxaquecas e alergias. Mas há vantagens — estudos demonstram que muitos canhotos têm mais atividade no lado direito do cérebro, ligado à criatividade e à consciência espacial.
Não surpreende que nomes como Leonardo da Vinci, Jimi Hendrix, David Bowie ou Oprah Winfrey façam parte deste grupo.
E até no reino animal há exemplos: investigações indicam que a maioria dos cangurus prefere usar a pata esquerda nas tarefas diárias.
Hoje é o dia para celebrar todos os que olham o mundo… do outro lado.