Estudo com 400 mil crianças revela vantagem académica duradoura para quem frequentou o pré-escolar público

Um estudo realizado ao longo de 20 anos e envolvendo cerca de 400 mil alunos concluiu que as crianças que frequentaram o pré-escolar público apresentaram melhores resultados académicos ao longo do percurso escolar do que aquelas que estiveram em outros contextos de cuidados infantis. A investigação, liderada pela George Mason University e acompanhada por Charles Bleiker, professor associado da Florida International University, analisou alunos das escolas públicas do condado de Miami-Dade, nos Estados Unidos.

Os investigadores acompanharam o desempenho dos estudantes desde o terceiro ano de escolaridade até ao ensino secundário e verificaram que aqueles que tinham frequentado o programa público Pre-K4 obtiveram, de forma consistente, classificações mais elevadas e melhores resultados em testes padronizados. A vantagem não desapareceu com a entrada no ensino básico e manteve-se durante a adolescência.

Uma das possíveis explicações está na qualificação dos professores. A investigação comparou crianças provenientes de três tipos de ambientes pré-escolares: programas públicos, creches ou centros de educação infantil e prestadores de cuidados baseados em casa. Embora todos cumprissem os requisitos mínimos, os programas públicos eram os únicos em que os professores tinham obrigatoriamente de possuir um diploma universitário. Os investigadores consideram que uma formação mais sólida poderá contribuir para melhores práticas pedagógicas e para uma resposta mais adequada às necessidades das crianças.

A familiarização precoce com um ambiente escolar estruturado poderá também explicar parte dos resultados. Crianças que contactam desde cedo com rotinas de sala de aula podem chegar ao ensino básico mais preparadas para acompanhar instruções, interagir com colegas e lidar com as exigências académicas e comportamentais. Os investigadores defendem ainda que professores com formação em desenvolvimento infantil e gestão de salas de aula poderão estar mais preparados para lidar com dificuldades comportamentais e criar experiências de aprendizagem mais estimulantes.

O estudo tem ainda uma dimensão particularmente relevante pela diversidade da população analisada: cerca de 70% dos habitantes de Miami são hispânicos, permitindo reunir uma das maiores amostras de crianças hispânicas alguma vez utilizadas numa investigação deste género. Os autores não defendem que todo o ensino pré-escolar tenha de ser transferido para escolas públicas, mas sugerem que as práticas que parecem funcionar nesses programas sejam utilizadas para melhorar outras respostas de educação e cuidados infantis. Para os pais, os investigadores recomendam avaliar a estabilidade dos professores, visitar os estabelecimentos antes da inscrição, procurar informações junto das entidades locais de apoio à educação infantil e falar com outras famílias sobre a experiência nos diferentes programas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

Um novo passo para compreender o envelhecimento: estudo revela papel dos vasos linfáticos na manutenção e reparação óssea

A presença de vasos linfáticos – que, entre...

0

Inteligência artificial está a transformar a monitorização dos oceanos e rios na Europa

A inteligência artificial (IA) está a permitir aos...

0

UE reforça controlo sobre ChatGPT, Reddit e Roblox

A União Europeia decidiu aplicar ao ChatGPT, Reddit...

0