Estudo confirma ligação entre puberdade precoce, envelhecimento acelerado e maior risco de doenças

Investigadores do Instituto Buck de Pesquisa sobre Envelhecimento confirmaram que a puberdade precoce e a maternidade em idades jovens estão associadas a um envelhecimento mais rápido e a um risco acrescido de doenças graves nas mulheres.

A análise, publicada na revista eLife, indica que meninas que entram na puberdade antes dos 11 anos ou que dão à luz antes dos 21 duplicam a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, insuficiência cardíaca e obesidade, chegando a quadruplicar o risco de distúrbios metabólicos graves. Em contrapartida, a puberdade e a maternidade mais tardias parecem estar geneticamente associadas a uma maior longevidade e a menor incidência de doenças relacionadas com a idade.

O estudo baseou-se em dados de quase 200 mil mulheres do UK Biobank e identificou 126 marcadores genéticos ligados ao envelhecimento, muitos deles em vias conhecidas como IGF-1, AMPK e mTOR, reguladores centrais do metabolismo e da longevidade. Para os cientistas, estes resultados fornecem uma das evidências humanas mais fortes da teoria da pleiotropia antagónica, segundo a qual vantagens reprodutivas precoces trazem custos significativos mais tarde na vida.

De acordo com os autores, o Índice de Massa Corporal (IMC) desempenha um papel crucial nesta relação, já que a puberdade e o parto precoces tendem a aumentar o IMC, o que potencia o risco de doenças metabólicas. O professor Pankaj Kapahi, autor sénior do estudo, sublinha que estas conclusões devem ser tidas em conta no planeamento da saúde pública, defendendo rastreios e recomendações personalizadas para mulheres com histórico reprodutivo precoce.

Para além do impacto clínico, os investigadores lembram que a idade média da menarca tem vindo a diminuir nos EUA desde a década de 1970, sem causas totalmente identificadas, embora a obesidade seja apontada como um factor relevante. O estudo sugere que compreender estas compensações genéticas poderá permitir desenvolver intervenções para prolongar a expectativa de vida saudável e reduzir os riscos associados ao envelhecimento acelerado.

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