Além de secas, ondas de calor e tempestades mais intensas, as alterações climáticas parecem estar também ligadas a um novo perigo natural: os terremotos. Investigadores da ETH Zurique descobriram que o derretimento acelerado de geleiras nos Alpes, provocado pelo aquecimento global, está associado a um aumento da atividade sísmica em áreas montanhosas.
O estudo, publicado na revista Earth and Planetary Science Letters, analisou milhares de pequenos tremores ocorridos sob os Grandes Jorasses — um pico coberto por gelo no maciço do Monte Branco, nos Alpes. Os registos mostram que, após uma intensa onda de calor em 2015, houve um aumento acentuado na frequência e na intensidade desses tremores.
Segundo os cientistas, embora os tremores identificados sejam pequenos, a sua frequência crescente pode indicar maior probabilidade de terremotos maiores no futuro.
Esse tipo de relação entre infiltração de água e sismicidade já foi observado em outras partes do mundo — como em Taiwan ou em áreas de fraturamento hidráulico —, mas esta é a primeira vez que se estabelece uma possível conexão direta entre o derretimento de geleiras por calor extremo e a atividade sísmica natural.
Os dados do túnel do Monte Branco, que atravessa a montanha por 11 quilómetros, reforçam a hipótese. Durante a sua construção, nos anos 1960, engenheiros enfrentaram fluxos inesperados de água doce, indicando a existência de rotas rápidas de infiltração de água derretida nas profundezas da montanha.
Embora o risco imediato para a infraestrutura nos Alpes seja considerado baixo — a maioria das construções está preparada para terremotos de até magnitude 6 —, o estudo levanta preocupações para outras regiões glaciais, como os Himalaias, onde a combinação de geleiras em rápido desaparecimento e falhas geológicas profundas pode representar um risco muito maior.