AIEA alerta para riscos à segurança nuclear na Ucrânia após ataque a subestação eléctrica

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) alertou para os riscos que os ataques à rede eléctrica representam para a segurança nuclear da Ucrânia, depois de concluir uma missão de avaliação a 19 subestações essenciais ao funcionamento seguro das centrais nucleares do país. O director-geral da organização, Rafael Grossi, revelou, a 30 de Outubro, que a missão terminou poucos dias antes de a Agência ser informada de um ataque à subestação de Slavutych, ocorrido a 27 de Outubro, que terá provocado a perda de todas as suas linhas de 330 quilovolts (kV).

A missão decorreu entre 10 e 24 de Outubro e analisou os danos nas infra-estruturas eléctricas, os trabalhos de reparação e a capacidade de resistência do fornecimento externo de energia às centrais nucleares. Segundo Grossi, a actividade militar nas proximidades de instalações nucleares e os ataques às subestações que as alimentam constituem uma ameaça séria, uma vez que o funcionamento seguro destas instalações depende de uma rede eléctrica estável e fiável.

Na central nuclear de Zaporizhzhya, a maior da Europa, a AIEA mantém particular preocupação com a dependência de uma única linha externa de 330 kV, denominada Ferosplavna-1. Antes do conflito, a central dispunha de dez linhas de transmissão, mas actualmente depende desta ligação para assegurar funções essenciais de segurança. A Agência está a negociar com a Rússia e a Ucrânia um novo cessar-fogo localizado, o nono desde o início das iniciativas deste tipo, para permitir a reparação da linha principal de 750 kV de Dniprovska, que permanece indisponível desde Março.

A situação é agravada pelas reservas reduzidas de combustível diesel na central, apesar de uma inspecção recente ter confirmado que os depósitos dos geradores de emergência estavam completamente abastecidos. A AIEA informou que não recebeu indicações de entregas de combustível desde Março de 2026 e alertou que a aproximação do Inverno poderá aumentar as necessidades de diesel para o aquecimento dos trabalhadores e o funcionamento dos equipamentos de segurança. Grossi apelou à reposição das reservas para garantir que a central consiga enfrentar novas interrupções no fornecimento eléctrico.

A Agência foi também informada da morte de um trabalhador da central de Zaporizhzhya, alegadamente atingido num ataque com drone, e registou 146 alarmes de ataque aéreo durante a semana, além da presença de drones nas proximidades de várias instalações nucleares. Foram identificados 115 drones perto de Chernobyl, 13 junto à central de Khmelnytskyi e 12 nas imediações da central do Sul da Ucrânia. Paralelamente, a AIEA prosseguiu o apoio técnico ao país, incluindo a entrega de duas cabines de descontaminação a hospitais, financiadas pelo Japão. Grossi voltou a apelar à contenção militar e à cooperação entre as partes para evitar um acidente nuclear.

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