A agência de inteligência interna da Alemanha classificou oficialmente o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) como uma formação de extrema-direita, reforçando assim a vigilância sobre as suas atividades.
A decisão, anunciada na sexta-feira, permite ao Gabinete Federal para a Proteção da Constituição (BfV) recorrer a meios como a interceção de comunicações e o recrutamento de informadores, além de limitar a capacidade do partido de atrair novos membros.
O BfV sustenta que a AfD, atualmente liderada por Alice Weidel e segunda força política nas últimas eleições legislativas, defende uma visão étnica da sociedade que exclui determinados grupos, nomeadamente migrantes de países de maioria muçulmana.
A agência considera que este posicionamento viola os princípios da ordem democrática livre, ao promover a desigualdade de tratamento e ao minar a dignidade humana.
Com base em decisões judiciais anteriores em estados como a Turíngia, a Saxónia e a Saxónia-Anhalt, onde a AfD já era considerada “extremista”, os serviços de inteligência justificam agora a necessidade de vigilância a nível federal.
O partido é acusado de querer excluir populações inteiras da participação plena na sociedade alemã.
A ministra do Interior, Nancy Faeser, que está de saída do cargo, considerou a decisão uma “avaliação clara e inequívoca”, denunciando a postura etnonacionalista da AfD. Ademais, declarou ainda que o partido tratava os cidadãos com origens migrantes como alemães de segunda classe, em contradição com os valores fundamentais da Constituição.
A nova classificação poderá relançar o debate sobre uma eventual ilegalização do partido, hipótese já levantada por vários setores políticos e jurídicos no país.