Durante uma visita oficial ao Japão, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, lançou duras críticas a Pequim, acusando o país de sustentar a máquina de guerra russa na Ucrânia e de assumir um comportamento “cada vez mais agressivo” no Estreito de Taiwan e nas águas da China Oriental e Meridional.
Antes da chegada a Tóquio, Wadephul já tinha alertado que a China está a procurar afirmar a sua supremacia regional, colocando em causa “os princípios do direito internacional”.
Após o encontro com o homólogo japonês, Takeshi Iwaya, reforçou que qualquer escalada naquela zona estratégica do comércio global teria “consequências graves para a segurança internacional e para a economia mundial”.
O ministro alemão acusou ainda Pequim de ser “o maior fornecedor de bens de dupla utilização à Rússia” e “o principal cliente do seu petróleo e gás”, sublinhando que a ofensiva russa só é viável “graças ao apoio chinês”.
As declarações provocaram uma resposta imediata de Pequim.
A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, rejeitou as acusações e acusou Berlim de “incitar ao confronto e aumentar as tensões”, apelando ao diálogo e à consulta para salvaguardar a estabilidade regional.
As críticas surgem num momento de crescente pressão sobre a China, tanto pelo seu alinhamento com Moscovo como pelas disputas territoriais no Indo-Pacífico.
A posição de Wadephul foi tornada pública no mesmo dia em que o chanceler alemão, Friedrich Merz, se reúne em Washington com o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, para debater uma solução para a guerra na Ucrânia.