Alterações climáticas levam polvos a novas águas no Reino Unido

Em 2025, foi registado um número invulgarmente elevado de polvos-comuns ao largo da costa sul de Inglaterra, um fenómeno raro em águas britânicas. A espécie, normalmente associada a mares mais quentes como o Mediterrâneo, apresentou este ano a maior proliferação desde 1950.

Segundo a organização The Wildlife Trusts, os avistamentos aumentaram cerca de 1.500% face a 2023, permitindo observar comportamentos pouco comuns em águas pouco profundas, como deslocações sobre o fundo, acasalamento e interação com câmaras subaquáticas. A entidade classificou mesmo 2025 como o “Ano do Polvo”.

Os especialistas associam esta proliferação a vários fatores ambientais, com destaque para o aquecimento das águas do mar. As temperaturas no sudoeste do Reino Unido estiveram entre 1,5 e 3 ºC acima do normal, enquanto os invernos mais amenos terão aumentado a taxa de sobrevivência dos ovos.

Apesar de natural, o fenómeno tem impactos económicos. Os polvos, sendo predadores, alimentam-se de espécies como lagostas e caranguejos, levando a uma quebra significativa nas capturas de marisco. Em contrapartida, a pesca de polvo aumentou, ultrapassando as 1.200 toneladas este verão.

O caso reacende também o debate sobre bem-estar animal, já que os polvos são reconhecidos no Reino Unido como seres sencientes. Embora a sua captura seja legal, organizações alertam para a necessidade de equilibrar exploração económica, proteção ambiental e respeito por uma espécie altamente inteligente.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

França: Dívida pública sobe para valor recorde de 119% do PIB

A dívida pública de França alcançou 3,595 biliões...

0

Rússia: Putin afirma que é “muito provável” continuação de conflitos internacionais

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta...

0

Rússia: Putin aumenta efetivos das Forças Armadas russas pela quarta vez em 2026

Vladimir Putin assinou um decreto que acrescenta 15.500...

0