Autoridades russas perseguem apoiantes de Navalny dois anos após morte de opositor de Putin

Dois anos após morte de Navalny sob custódia, as autoridades russas continuam a encobrir factos da sua morte, enquanto travam campanha implacável para apagar o seu legado e perseguir os seus apoiantes.

“Este aniversário deve servir de lembrete de que a responsabilidade pela morte de Aleksei Navalny sob custódia continua a ser do Estado russo. Apelamos à comunidade internacional para que se pronuncie a favor de uma investigação internacional independente para garantir a responsabilização pela sua morte” – Agnès Callamard

Autoridades russas abriram mais de 100 processos criminais por alegadas doações à Fundação Anticorrupção (FBK) de Navalny, arbitrariamente designada “extremista” e, mais recentemente, “terrorista”.

No dia em que se assinala o segundo aniversário da morte sob custódia do político oposicionista russo e prisioneiro de consciência Aleksei Navalny, a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, afirmou: “Passaram-se dois anos desde que Aleksei Navalny, prisioneiro de consciência e uma das vozes mais destemidas contra a corrupção e a repressão estatal na Rússia morreu, numa remota colónia penal no Círculo Polar Ártico. É desprezível que as autoridades russas continuem a encobrir os factos da sua
morte, enquanto travam uma campanha implacável para apagar o seu legado e perseguir os seus apoiantes”.

“Este aniversário deve servir como um lembrete de que a responsabilidade pela morte de Aleksei Navalny sob custódia continua a ser do Estado russo. Apelamos à comunidade internacional para que se pronuncie a favor das exigências de longa data de uma investigação internacional independente para descobrir a verdade e garantir a responsabilização pela sua morte”, adicionou Callamard.

“As autoridades russas tentaram quebrar o espírito de Aleksei Navalny através de prisão arbitrária, tortura, isolamento prolongado e uma campanha de difamação, mas falharam. Hoje, estão a tentar destruir o movimento que ele criou, criminalizando a sua Fundação Anticorrupção (FBK), processando os seus apoiantes e punindo até mesmo as mais pequenas manifestações de memória e solidariedade”, apontou a responsável.

“Essas perseguições fazem parte de uma onda de repressão muito mais ampla. As autoridades russas abriram mais de 100 processos criminais por alegadas doações à FBK, que foi arbitrariamente designada como uma organização ‘extremista’ e, mais recentemente, ‘terrorista’. Esta perseguição generalizada e sistemática dos simpatizantes de Navalny está a crescer em escala e ferocidade a cada ano. Sob a nova designação de ‘terrorista’, os apoiantes podem enfrentar sanções ainda mais severas, incluindo prisão
perpétua”, disse ainda Agnès Callamard.

“As autoridades russas devem libertar imediata e incondicionalmente todas as pessoas que foram presas apenas pela sua associação com Aleksei Navalny ou o seu trabalho e anular as suas condenações injustas. A Rússia deve parar de abusar da legislação sobre ‘extremismo’ e ‘terrorismo’ para perseguir críticos pacíficos das autoridades. Apelamos também aos Estados e às organizações internacionais para que levantem publicamente casos individuais, apoiem os esforços internacionais de monitorização e responsabilização e proporcionem proteção internacional, incluindo asilo, aos apoiantes de Navalny que
enfrentam o risco de perseguição criminal por motivos políticos na Rússia”, concluiu.

Contexto

Em dezembro de 2025, o Tribunal da Cidade de Moscovo manteve as penas de prisão de 5 anos e meio para Antonina Favorskaya e Artyom Kriger, repórteres do projeto de comunicação social SotaVision, que cobriram Aleksei Navalny e a FBK, bem como para Sergei Karelin e Konstantin Gabov, freelancers do canal Navalny Live no YouTube. Em setembro de 2025, um tribunal também manteve as sentenças proferidas em janeiro de 2025 aos advogados de Aleksei Navalny: Vadim Kobzev (5 anos e meio), Aleksei Liptser
(cinco anos) e Igor Sergunin (3 anos e meio).

Apenas em 2025, os tribunais russos julgaram, pelo menos, 79 processos criminais relacionados com doações ao FBK. Isso representa um aumento acentuado, em comparação com os anos anteriores, com dois casos abertos em 2022, quatro em 2023 e 27 em 2024.

Pelo menos, 96 pessoas foram processadas em 2025, muitas vezes por doações que variaram de 100 a 14 000 rublos (1,09€ – 151,5€). Em oito casos, os tribunais impuseram penas de prisão que variaram de três meses a cinco anos, com um caso a resultar numa pena de 12 anos de prisão. O número real de casos, provavelmente, é maior, uma vez que não são publicadas estatísticas oficiais e os dados dos tribunais permanecem incompletos.

Amnistia Internacional Portugal

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