O Banco Central Europeu (BCE) cortou esta quinta-feira a taxa de juro de referência em 25 pontos base, fixando-a em 2%, o valor mais baixo em mais de dois anos. Esta decisão foi tomada em resposta à queda da inflação na zona euro e às incertezas económicas decorrentes das tensões comerciais internacionais.
A taxa de juro para as operações principais de refinanciamento foi reduzida para 2,15%, enquanto a taxa da facilidade de cedência de liquidez desce para 2,40%.
A taxa de depósito, por sua vez, foi fixada em 2%, metade do valor máximo registado em junho de 2024.
Segundo o BCE, embora o comércio global esteja sob pressão, sobretudo devido às políticas tarifárias dos Estados Unidos, o aumento do investimento público em defesa e infraestrutura deverá sustentar o crescimento económico a médio prazo.
O banco espera ainda que a combinação de rendimentos reais mais elevados, um mercado de trabalho resiliente e condições de crédito mais favoráveis impulsione o consumo das famílias.
A inflação anual caiu para 1,9% em maio, abaixo do objetivo de 2% do BCE, e a inflação subjacente também mostrou sinais de desaceleração. A valorização do euro e a queda dos custos energéticos contribuíram para este alívio nos preços.
Apesar da incerteza que ainda envolve o comércio internacional, economias como a alemã estão a intensificar os gastos públicos. Berlim aprovou um pacote de 500 mil milhões de euros para investimento em infraestrutura e alterou regras fiscais para permitir maiores despesas com defesa, o que pode ajudar a estimular a economia europeia nos próximos trimestres.
Vários analistas apontam que este corte de juros pode não ser o último do ano, mas as futuras decisões do BCE dependerão fortemente da evolução das relações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos.