O presidente da Bulgária, Rumen Radev, anunciou a sua demissão do cargo de chefe de Estado e confirmou a criação de um novo projeto político, com o objetivo de se candidatar a primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas antecipadas, previstas para a primavera. A decisão surge num contexto de forte instabilidade política no país.
“A democracia não pode sobreviver nas mãos de figuras corruptas e extremistas”, afirmou Radev, que exercerá formalmente a demissão na terça-feira. Após nove anos na Presidência, o agora ex-chefe de Estado assume uma ambição há muito antecipada: liderar o Governo numa república parlamentar onde o poder executivo depende do parlamento.
Radev criticou duramente o atual modelo de governação, que classificou como dominado por interesses oligárquicos, questionando por que razão a adesão à Zona Euro e ao Espaço Schengen não trouxe maior estabilidade nem melhores condições de vida aos cidadãos. O antigo presidente destacou ainda a crescente desconfiança dos búlgaros na justiça, nos meios de comunicação social e no sistema político.
Durante o seu mandato, Radev nomeou sete governos provisórios, reflexo da incapacidade crónica dos partidos em formar maiorias estáveis. Nas últimas semanas, o país foi palco dos maiores protestos desde os anos 1990, com exigências de demissão de figuras políticas influentes e críticas à condução do processo orçamental.
A entrada de Radev na política partidária poderá também ter impacto na política externa búlgara. A sua posição mais cautelosa face à guerra na Ucrânia levou críticos a classificá-lo como “pró-russo”, rótulo que rejeita, alertando para os riscos de arrastar o país para conflitos que ameacem a paz interna.
As eleições antecipadas serão as sétimas desde 2021. Até lá, a presidência será assumida pela vice-presidente Iliana Yotova.