A Organização Internacional para as Migrações (OIM) manifestou profunda preocupação com relatos de vários naufrágios recentes no Mediterrâneo Central, alertando para a possibilidade de centenas de migrantes mortos ou desaparecidos.
Segundo a agência, apenas nos primeiros dias de 2026 o número de vítimas poderá já ultrapassar as 1.300 pessoas, embora muitos casos ainda estejam por confirmar.
De acordo com a OIM, pelo menos três naufrágios registados entre sexta-feira e domingo terão causado 104 mortes, em condições meteorológicas adversas que dificultaram as operações de busca e salvamento. As tragédias estariam relacionadas com embarcações precárias e sobrelotadas utilizadas por redes de contrabando de migrantes, que continuam a operar de forma impune.
Entre os casos mais recentes, em Lampedusa, Itália, foram confirmadas três mortes após o resgate de um barco proveniente da Tunísia, incluindo duas crianças gémeas de cerca de um ano, vítimas de hipotermia. Outros incidentes foram reportados ao largo da Líbia e de Malta, com dezenas de pessoas dadas como mortas ou desaparecidas, agravados pela passagem do ciclone Harry, uma tempestade excecionalmente violenta no Mediterrâneo.
A OIM sublinha o “extremo perigo” destas travessias e apela à intensificação urgente dos esforços internacionais para desmantelar as redes criminosas de tráfico e contrabando de pessoas. A agência defende igualmente o reforço das operações de busca e salvamento e a garantia de desembarques seguros, de forma a evitar novas perdas de vidas humanas numa das rotas migratórias mais mortíferas do mundo.