A economia da zona euro registou uma poupança líquida praticamente estável no primeiro trimestre de 2026, alcançando os 902 mil milhões de euros acumulados nos quatro trimestres até março, segundo dados divulgados pelo Banco Central Europeu (BCE). O valor representa cerca de 7% do rendimento disponível líquido da área do euro e compara com os 900 mil milhões de euros registados no trimestre anterior.
Apesar da manutenção da poupança, o investimento não financeiro líquido da zona euro diminuiu para 629 mil milhões de euros, equivalente a 4,9% do rendimento disponível líquido. A redução esteve associada sobretudo a uma menor dinâmica de investimento das empresas não financeiras e das instituições financeiras, num contexto de maior cautela económica.
As famílias continuaram a apresentar uma posição financeira sólida, com o seu financiamento a crescer a uma taxa anual de 3% no primeiro trimestre de 2026. O rácio da dívida das famílias em relação ao rendimento disponível manteve-se praticamente inalterado nos 81%, enquanto o peso da dívida das famílias em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) recuou ligeiramente para 50,3%, face aos 50,6% registados um ano antes.
O investimento financeiro das famílias acelerou ligeiramente, com uma taxa anual de crescimento de 2,9%, impulsionado sobretudo pelo aumento dos investimentos em regimes de pensões, seguros de vida e títulos de dívida. As famílias da zona euro continuaram a comprar sobretudo obrigações emitidas pelos governos, enquanto reduziram a exposição a algumas ações cotadas de empresas não financeiras.
No sector empresarial, o financiamento das empresas não financeiras manteve uma taxa de crescimento anual de 1,4%. A dívida consolidada destas empresas em relação ao PIB diminuiu para 65,6%, contra 67,1% no primeiro trimestre de 2025, indicando uma redução gradual do endividamento empresarial. O BCE destacou ainda um aumento da emissão líquida de títulos de dívida por parte das empresas, que cresceu 4% no período analisado.
A zona euro registou também um aumento da capacidade de financiamento face ao resto do mundo, passando de 296 mil milhões para 307 mil milhões de euros, refletindo a combinação entre a estabilidade da poupança e a redução do investimento líquido. Já o défice das administrações públicas aumentou, contribuindo negativamente para a posição financeira global da região, com um saldo de financiamento negativo de 493 mil milhões de euros.