A Agência Europeia de Medicamentos afirmou que não prevê escassez de antibióticos na Europa durante este inverno, após vários anos de dificuldades de abastecimento nos meses mais frios. A entidade explicou à Euronews que o consumo se manteve estável entre 2024 e 2025 e que não há indícios de perturbações iminentes.
No inverno de 2024, 19 países do Espaço Económico Europeu enfrentaram falhas no fornecimento de antibióticos, 11 dos quais em situação crítica. Um dos medicamentos mais afetados foi a amoxicilina, cuja escassez persistiu desde 2022, mas que saiu da lista de faltas da EMA em junho deste ano.
Atualmente, 36 medicamentos estão em falta na União Europeia, segundo a agência, embora nenhum deles seja antibiótico e muitos tenham alternativas disponíveis. Ainda assim, a EMA e o Tribunal de Contas Europeu alertam que a escassez de medicamentos continua a ser um risco crónico na UE, sobretudo devido a vulnerabilidades na cadeia de abastecimento.
A pandemia de COVID-19 expôs essas fragilidades e evidenciou a forte dependência europeia de fornecedores externos, principalmente da Índia e da China. Estimativas recentes sugerem que até 80% dos ingredientes farmacêuticos ativos utilizados na Europa têm origem nesses países, enquanto a produção europeia caiu para menos de 25%.
Para reduzir essa dependência, a UE tem vindo a reforçar a sua estratégia de autonomia no setor farmacêutico. A nova Lei dos Medicamentos Críticos privilegia fornecedores europeus nos contratos públicos e pretende incentivar investimentos no fabrico de medicamentos essenciais e dos seus ingredientes dentro da União. Contudo, um relatório do Tribunal de Contas indica que muitos destes mecanismos ainda estão numa fase inicial e sem aplicação prática consolidada.