Um relatório do centro Transcrime da Universidade Católica de Milão, apresentado esta semana na sede da Europol, em Haia, alerta para o aumento de empresas europeias — sobretudo PME — envolvidas, muitas vezes sem saber, em transações com entidades sancionadas, especialmente ligadas à Rússia.
O estudo, cofinanciado pela União Europeia, revela que desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, redes de empresas fictícias e intermediários têm sido usadas para contornar sanções.
As PME são particularmente vulneráveis por não terem recursos para verificar os seus parceiros comerciais, recorrendo, em muitos casos, a declarações de boa fé que não garantem segurança.
O relatório estima que quase 10 mil empresas possam ter ligações diretas ou indiretas a indivíduos ou entidades sancionadas. Os setores mais afetados incluem tecnologias de uso dual, aeronáutica, engenharia e eletrónica.
Para ajudar as empresas a cumprirem as sanções, foi criado o EU Sanctions Helpdesk, mas os investigadores alertam que a evasão continua a ser facilitada por estruturas financeiras complexas e fraca fiscalização em algumas jurisdições.
A Europol apela a maior coordenação entre Estados-membros e ao reforço dos mecanismos de controlo no comércio internacional.