A literacia em inteligência artificial (IA) está a tornar-se uma competência básica para os trabalhadores europeus, a par do pensamento crítico, da capacidade de análise e do discernimento humano. A conclusão consta de um novo relatório conjunto de instituições europeias e organizações internacionais, que analisa a transformação das competências profissionais perante a crescente utilização da IA no mercado de trabalho.
O estudo, intitulado «Mudanças no panorama das competências na era da IA», reúne contributos da Fundação Europeia para a Formação (ETF), do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional (Cedefop), da Eurofound, da Comissão Europeia, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da UNESCO. O documento destaca que compreender o funcionamento, as capacidades e as limitações dos sistemas de IA é cada vez mais importante, independentemente da profissão exercida.
De acordo com um inquérito do Cedefop realizado em 11 países da União Europeia, entre 40% e 60% dos trabalhadores adultos apresentavam baixos níveis de literacia em IA, consoante a competência avaliada. Apenas cerca de 15% tinham participado em acções de formação relacionadas com esta tecnologia durante 2023 e 2024. O relatório identifica três dimensões fundamentais desta literacia: conhecimentos técnicos sobre o funcionamento da IA, capacidade de interpretar e avaliar os dados produzidos e compreensão dos riscos éticos, incluindo preconceitos, privacidade, transparência e responsabilidade.
O documento sublinha ainda que a expansão da IA aumenta a importância das competências humanas, nomeadamente o pensamento crítico, a resolução de problemas, a comunicação, a colaboração e a empatia. Embora a maioria dos trabalhadores não tenha de desenvolver sistemas de inteligência artificial, será cada vez mais necessário saber utilizá-los de forma segura e eficaz, verificar os resultados e reconhecer situações em que a intervenção e o julgamento humanos são indispensáveis.
Perante estes desafios, o relatório defende a integração da literacia em IA nos diferentes níveis de ensino, na formação profissional, no ensino superior e na aprendizagem ao longo da vida, incluindo a formação no local de trabalho. Também professores e formadores necessitam de reforçar as suas competências nesta área. O Cedefop vai promover, nos dias 3 e 4 de Dezembro de 2026, em Salónica, na Grécia, uma conferência sobre as competências em IA como vantagem competitiva para a Europa, com o objectivo de debater estratégias para preparar trabalhadores, empresas e instituições para as mudanças tecnológicas.