Finlândia reforça literacia mediática para combater desinformação, mas IA desafia escolas

Enquanto as escolas finlandesas ensinam crianças a distinguir factos de desinformação, vários especialistas alertam que a integração da Inteligência Artificial (IA) na educação pode complicar a tarefa.

No início deste ano, numa sala de aula com crianças com menos de seis anos, um professor propôs que os alunos escrevessem, em grupo, uma história de terror com recurso à IA. Com base nas sugestões das crianças sobre enredo, personagens e género, o sistema gerou automaticamente o texto e imagens para ilustrar a narrativa. O exercício, além de surpreender os alunos, introduziu os mais jovens ao conceito de interação com a IA.

A literacia mediática na Finlândia, ensinada desde a década de 1970, promove competências críticas e digitais, preparando os cidadãos para avaliar a fiabilidade da informação online. Através das atualizações recentes, o currículo inclui também redes sociais e smartphones, reforçando a ideia de “multiliteracia”: a capacidade de compreender e analisar diferentes fontes de informação como competência essencial para a vida.

Segundo especialistas, a IA representa um novo desafio para estas competências.
Os deepfakes, por exemplo, dificultam a distinção entre conteúdo real e manipulado. Casos recentes envolveram figuras públicas, incluindo políticos e celebridades, cujas vozes ou imagens foram usadas em fraudes sofisticadas.

A Finlândia procura, assim, ensinar não apenas a identificação de notícias falsas, mas também a compreensão do funcionamento da IA – as crianças aprendem a verificar informações, procurar múltiplas fontes e reconhecer sinais de manipulação, como reações emocionais excessivas em vídeos ou imagens.

O governo lançou diretrizes para professores, recomendando transparência sobre o uso da IA e explicações sobre os erros que podem ocorrer. Porém, estas orientações ainda não estão integradas no currículo, cuja revisão completa acontece apenas de dez em dez anos.

Um quadro europeu de literacia em IA, a ser publicado em 2026, deverá orientar o uso da tecnologia nas escolas e medir competências de jovens em 100 países. O ritmo acelerado de evolução da IA exige uma atualização constante dos sistemas educativos, tornando a tarefa de formar cidadãos críticos ainda mais complexa.

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