França: Vindima antecipada devido ao calor extremo

A vindima de 2025 em França começou mais cedo do que o habitual, resultado direto das temperaturas elevadas que aceleraram a maturação das uvas. O fenómeno, cada vez mais recorrente, tem obrigado os viticultores a adaptar os calendários de colheita, tradicionalmente previstos para setembro e outubro.

No Château Carbonnieux, em Bordéus, os termómetros a rondar os 40ºC provocaram um amadurecimento precoce dos cachos de vinho branco. O proprietário, Eric Perrin, explica que a colheita, que antes se iniciava em meados de setembro, arrancou já a 19 de agosto, conferindo às uvas um perfil “muito mais mediterrânico do que atlântico”.

O excesso de calor e a escassez de água têm ainda outro impacto: o aumento do teor de açúcar das uvas, que se traduz em vinhos com maior grau alcoólico. No entanto, este fator entra em conflito com as regras da denominação de origem controlada (DOC) francesa e com a preferência dos consumidores, que tendem a rejeitar vinhos brancos demasiado alcoólicos.

Andrea Perrin, enólogo da família, sublinha que, apesar dos riscos, parte da produção será compensada com colheitas mais tardias em solos argilosos, que preservam melhor a acidez. O objetivo é equilibrar o excesso de açúcar destas primeiras uvas e garantir que o vinho final mantenha níveis de álcool mais próximos dos 12 a 13%, dentro dos padrões tradicionais da região.

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