A Grécia está a apostar numa revolução digital para transformar o seu setor fiscal e financeiro, recorrendo a big data, inteligência artificial e drones no combate à fraude. A nova sede da Autoridade Independente das Receitas Públicas (AADE), em Atenas, monitoriza milhões de transações em tempo real e aciona operações contra empresas suspeitas, sinalizadas por algoritmos.
O país, que há pouco mais de uma década enfrentava uma crise de dívida profunda, apresenta hoje um dos melhores desempenhos orçamentais da União Europeia.
Em 2024, registou excedente e, este ano, as receitas fiscais superaram as metas, levando a Moody’s a devolver ao país o grau de investimento.
Os inspetores usam telemóveis adaptados e drones para fiscalizar restaurantes, portos e até discotecas. Em rusgas recentes, como a “Febre de Sábado à Noite”, cruzaram dados de telemóveis com recibos emitidos, identificando vendas ocultas.
Apesar do sucesso, persistem críticas. A oposição acusa o governo de manter impostos elevados e de agravar desigualdades, enquanto os cortes da austeridade ainda pesam sobre a população.
Mesmo assim, as reformas já financiaram reduções fiscais no valor de 1,6 mil milhões de euros e ampliaram o uso de pagamentos digitais.
Até 2026, a integração mais profunda da IA deverá reforçar a fiscalização e consolidar a digitalização da economia grega, que o ministro das Finanças, Kyriakos Pierrakakis, considera “irreversível”.