A missão da Nações Unidas no Kosovo alertou para o aumento da desconfiança entre comunidades e instituições, que continua a fragilizar a estabilidade política no período pós-eleitoral. O aviso foi feito no Conselho de Segurança, em Nova Iorque, no âmbito de uma reunião sobre a situação na região.
O representante especial da missão da ONU, Peter Due, afirmou que, apesar das eleições legislativas realizadas no final de 2025 terem registado ampla participação, o processo político continua marcado por bloqueios, incluindo a ainda não conclusão da eleição presidencial. O responsável sublinhou que o equilíbrio atual é “delicado” e facilmente reversível.
Entre os desafios identificados estão falhas administrativas, barreiras linguísticas e dificuldades na integração de autoridades locais no norte do território. Embora o regresso de autarcas sérvios tenha sido considerado um passo positivo, a ONU alerta que esses progressos continuam frágeis e dependentes de maior diálogo entre comunidades.
A missão da ONU no Kosovo (UNMIK) enfrenta ainda constrangimentos financeiros e redução de pessoal, mas mantém o seu papel de mediação e promoção da confiança entre comunidades. A organização sublinha que o diálogo local continua a ser essencial para evitar novos ciclos de tensão.
O debate no Conselho de Segurança expôs divergências profundas sobre o futuro da presença da ONU na região, com posições opostas entre a Sérvia e o Kosovo, enquanto a União Europeia defende a continuação das reformas e da normalização como condição essencial para a estabilidade a longo prazo.