A Madeira está a afirmar-se como um recurso estratégico na transição ecológica na Europa, segundo um novo relatório da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE). Apesar dos desafios como a inflação, o crescimento económico estagnado e as perturbações no comércio internacional, o setor florestal europeu está a reinventar-se e a assumir um papel central na descarbonização.
O relatório destaca que esta transformação é estrutural. O setor está a afastar-se de um modelo centrado na exploração de recursos e a apostar na inovação, na resiliência climática e no desenvolvimento de produtos de base biológica. Áreas como a construção de baixo carbono e as energias renováveis estão envolvidas nesta mudança.
Em vários países europeus, os dados refletem esta evolução. A Áustria registou um aumento de cerca de 6% na produção de madeira serrada em 2024, enquanto a Finlândia mantém a sua posição como um dos principais produtores globais de celulose e papel. Já na Alemanha, o setor enfrentou dificuldades associadas ao contexto económico, apesar da sua relevância histórica.
Outros exemplos incluem a República Checa, onde novas regras permitem construções em madeira até 22,5 metros de altura, e a Estónia, onde os sólidos biocombustíveis já representam mais de um terço da produção de energia primária. Estes desenvolvimentos evidenciam o papel crescente da madeira na segurança energética e na economia sustentável.
O relatório sublinha ainda que as novas políticas europeias, incluindo regras sobre desflorestação e restauração da natureza, estão a promover maior transparência nas cadeias de abastecimento e nas indústrias transformadoras como os créditos de carbono florestal. Apesar de ameaças como declarações e incêndios, o setor está a adaptar-se, apostando em modelos de bioeconomia circulares e na utilização mais eficiente dos recursos.