OCDE alerta para desalinhamento de competências e defende reforma no ensino superior

Um novo relatório da OCDE, divulgado a 14 de abril de 2026, destaca a necessidade de melhorar a forma como os países antecipam as necessidades futuras de competências e adaptam os sistemas de ensino superior às exigências do mercado de trabalho. O estudo analisa exercícios de “Skills Assessment and Anticipation” (SAA) em 17 países e conclui que muitos sistemas ainda não conseguem responder eficazmente às mudanças rápidas nas economias.

Segundo o documento, a Europa enfrenta níveis significativos de desajuste entre qualificações e empregos. Cerca de 21% dos trabalhadores estão sobrequalificados e 25% dizem ter competências acima das exigidas pelos seus cargos, enquanto uma parte menor da população enfrenta o problema inverso, com falta de qualificações adequadas. Estes desequilíbrios contribuem para menor produtividade, salários mais baixos e menor satisfação no trabalho.

O relatório sublinha que estes desajustes têm impacto direto na economia, reduzindo o crescimento e a eficiência das empresas. Trabalhadores sobrequalificados enfrentam, em média, uma penalização salarial de cerca de 11%, enquanto os efeitos de subqualificação também se refletem em perda de rendimento e bem-estar. A OCDE alerta que estas ineficiências representam um custo estrutural para as economias europeias.

Para responder ao problema, o estudo defende a criação de sistemas mais robustos de previsão de competências, combinando métodos quantitativos e qualitativos. A análise de dados de empregos, inquéritos e informação de instituições de ensino superior deve ser complementada com contributos de empregadores, especialistas e decisores políticos, garantindo maior precisão na identificação das necessidades futuras.

Por fim, a OCDE recomenda que o ensino superior seja mais alinhado com as previsões de competências, através de melhor planeamento de cursos, incentivos à escolha de áreas com maior procura e reforço da orientação vocacional. O relatório conclui que sistemas mais integrados e colaborativos podem ajudar a reduzir o desajuste de competências e aumentar a competitividade económica a longo prazo.

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