A Holanda e a França transferiram parte das suas reservas de ouro dos Estados Unidos para a Europa, num contexto marcado pelo aumento das tensões geopolíticas e por dúvidas sobre a previsibilidade da política norte-americana.
O banco central holandês transferiu cerca de 86 toneladas de ouro de Nova Iorque para Londres, justificando a decisão com a necessidade de aumentar a capacidade de resposta perante eventuais crises. A França também retirou, entre 2025 e 2026, a restante reserva que mantinha no Federal Reserve de Nova Iorque.
Na Alemanha e em Itália, responsáveis políticos defendem igualmente a retirada de parte do ouro armazenado nos EUA. Apesar de considerarem remota a possibilidade de apreensão dos ativos, especialistas alertam que sanções, disputas legais ou crises geopolíticas podem dificultar temporariamente o acesso às reservas.
A procura por ouro tem aumentado entre os bancos centrais desde a crise financeira de 2008. Nos últimos quatro anos, as instituições acumularam, em média, cerca de mil toneladas por ano, o dobro da média registada na década anterior.
Londres surge como destino privilegiado devido à elevada liquidez do mercado de ouro. O Banco de Inglaterra é um dos principais depositários mundiais, com cerca de 400 mil barras armazenadas.
Apesar da crescente cautela, os EUA continuam a guardar grandes quantidades de ouro europeu. A Alemanha, por exemplo, ainda mantém mais de mil toneladas no país e continua a considerar o Federal Reserve de Nova Iorque um parceiro seguro para a custódia das suas reservas.