Numa altura em que os italianos votam num referendo para alterar as regras de concessão de cidadania, surgem dúvidas e afirmações incorretas sobre o papel da Itália na Europa nesta matéria.
Apesar de declarações recentes de políticos italianos, como o ministro Matteo Salvini, que afirmam que a Itália é o país que mais concede cidadanias na Europa, os dados do Eurostat de 2023 contradizem essa ideia. Segundo estes dados, Espanha lidera o ranking, tendo concedido mais de 240 mil cidadanias no último ano, seguida de Itália, com 214 mil, e da Alemanha, com 200 mil.
Analisando as concessões relativas à população, o Luxemburgo destaca-se como o país com maior número de cidadanias por mil habitantes, seguido da Suécia, Espanha, Bélgica e Itália.
Além disso, a Suécia apresenta a maior taxa de naturalização — o número de cidadanias concedidas face à população residente não nacional — seguida da Roménia e de Itália.
É importante sublinhar que, apesar do elevado número de naturalizações, Itália mantém requisitos rigorosos para a concessão da cidadania, exigindo atualmente uma residência de 10 anos.
Este período é mais longo do que em muitos países europeus, como França, Finlândia ou Portugal, onde o limite é de cinco anos.
Enquanto Itália pondera reduzir este prazo, outros países estão a aumentar os critérios ou os custos associados aos pedidos de cidadania.
O Reino Unido, por exemplo, planeia aumentar o tempo mínimo de residência para dez anos, e a Bélgica elevou recentemente o custo dos pedidos para 1.000 euros.