A Comissão Europeia manifestou confiança de que um acordo com o Reino Unido para a sua participação no programa europeu de defesa SAFE, avaliado em 150 mil milhões de euros, será alcançado nas próximas semanas. Bruxelas espera concluir as negociações até meados de novembro, permitindo que Londres participe antes do prazo-limite de apresentação dos planos nacionais, no final do mês.
O SAFE tem como objetivo reforçar a produção e aquisição conjunta de armamento europeu, numa resposta à crescente ameaça da Rússia. Embora o Reino Unido, como país terceiro, não possa beneficiar dos empréstimos da UE, poderá participar nas aquisições conjuntas e ver levantado o limite de contribuição de 35%, caso o acordo seja finalizado — estatuto já concedido à Noruega, Islândia e Ucrânia.
As conversações entre o comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, e o secretário britânico da Defesa, John Healey, estão em fase avançada. Segundo Bruxelas, o entendimento seria benéfico para ambas as partes, dado o peso da indústria de defesa britânica, que exporta um terço dos seus produtos para o mercado europeu.
Se o acordo for formalizado a tempo, os Estados-membros poderão ajustar os seus planos de rearmamento para incluir componentes fabricados no Reino Unido. A Comissão Europeia prevê efetuar os primeiros pagamentos do programa até ao final do primeiro trimestre de 2026, enquanto Austrália e Canadá também já manifestaram interesse em acordos semelhantes.