O Reino Unido está a estudar formas de tornar a eletricidade extremamente barata — ou mesmo quase gratuita — em períodos de grande produção de energia solar e eólica, com o objetivo de aproveitar o excedente que hoje é desperdiçado.
A medida surge porque a produção renovável tem aumentado rapidamente na Europa, mas as redes elétricas ainda não conseguem lidar com toda a energia gerada, sobretudo em dias de muito sol ou vento. Quando isso acontece, parte da produção tem de ser reduzida ou desligada para evitar sobrecargas no sistema.
Atualmente, em vários países europeus, incluindo Reino Unido, Alemanha, França e Países Baixos, os operadores chegam a pagar para que parques solares e eólicos reduzam a produção, devido à falta de capacidade de armazenamento e de transporte da energia.
A proposta em análise passa por inverter essa lógica: em vez de desperdiçar energia, incentivar o consumo nesses momentos através de tarifas muito baixas ou até recompensas a quem utilize eletricidade quando há excesso na rede.
Especialistas defendem que esta abordagem pode ajudar a reduzir custos globais do sistema elétrico, ao evitar desperdícios e diminuir a necessidade de recorrer a fontes mais caras quando há desequilíbrios entre oferta e procura.
A solução é vista como temporária, até que as redes elétricas sejam modernizadas e existam mais sistemas de armazenamento capazes de guardar o excedente de energia renovável.