Ucrânia: Ataques russos contra Kiev e Kharkiv provocam mortes e agravam crise humanitária

Os recentes ataques russos contra Kiev e Kharkiv, as duas maiores cidades da Ucrânia, provocaram mortes, dezenas de feridos e danos em habitações e infra-estruturas civis, informou a 13 de Outubro o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). As equipas de emergência e os trabalhadores humanitários encontravam-se no terreno a prestar assistência às populações afectadas, incluindo apoio psicológico, jurídico e materiais para abrigo.

Segundo o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Rússia lançou durante a noite mais de 100 drones e mísseis contra território ucraniano. Em Kharkiv, um edifício residencial foi destruído, provocando quatro mortos e 41 feridos, enquanto as equipas de socorro procuravam sobreviventes entre os escombros. Em Kiev, os ataques atingiram infra-estruturas civis, tendo sido utilizados cinco mísseis balísticos, de acordo com o governante. O OCHA indicou ainda que, na capital, uma pessoa morreu e 11 ficaram feridas.

A violência continua também a afectar gravemente as crianças. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), seis crianças terão morrido e outras 11 ficaram feridas durante o fim de semana. Entre as vítimas dos ataques encontra-se uma menina cuja mãe foi morta. A Cruz Vermelha ucraniana participou nas operações de socorro em Kharkiv, onde ajudou a resgatar oito pessoas após um ataque com mísseis e instalou um ponto de assistência para apoiar os afectados.

Entretanto, as Nações Unidas estão a apoiar os esforços para recuperar serviços públicos danificados na região de Mykolaiv, através do Gabinete das Nações Unidas de Serviços para Projectos (UNOPS). Com mais de 20 milhões de dólares de financiamento da Dinamarca, a iniciativa contempla a recuperação de estabelecimentos de ensino, incluindo a construção de abrigos subterrâneos para proteger alunos durante os alertas aéreos. O apoio abrange igualmente a disponibilização de autocarros escolares, veículos de emergência, equipamentos médicos e meios para a recolha de resíduos.

Os novos ataques ocorrem apesar das declarações de Zelensky sobre a possibilidade de uma desescalada no sector energético. O Presidente ucraniano afirmou que Kiev não tinha atacado refinarias russas nem instalações do sector energético desde o anúncio de um cessar-fogo nessa área, feito dois dias antes pelo Presidente dos Estados Unidos, acusando Moscovo de continuar a atingir infra-estruturas energéticas ucranianas. Zelensky declarou que a Ucrânia estava disponível para adoptar medidas recíprocas de desescalada, enquanto a Rússia indicou que existiam contactos em curso, sem apresentar detalhes sobre um eventual acordo.

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