Quase 4 mil crianças foram mortas ou ficaram feridas na Ucrânia desde a invasão russa em larga escala, iniciada em Fevereiro de 2022, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A agência da ONU alerta, no entanto, que o número real poderá ser ainda mais elevado, numa altura em que novos ataques continuam a provocar vítimas civis em várias regiões do país.
Entre sexta-feira e as primeiras horas de quarta-feira, pelo menos 47 pessoas morreram e 329 ficaram feridas em diferentes ataques, segundo as autoridades locais, incluindo 37 crianças. Em Kryvyi Rih, na região de Dnipropetrovsk, um ataque contra um centro comercial provocou pelo menos 16 mortos e mais de 140 feridos, entre os quais 23 crianças. No mesmo dia, uma ofensiva em Mykolaiv terá provocado a morte de três crianças.
O mês de Julho foi particularmente grave para a população infantil. De acordo com a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia, 17 crianças foram mortas e 166 ficaram feridas durante o mês, um aumento de 49% face a Junho e o balanço mensal mais elevado desde Abril de 2022. O UNICEF alertou que crianças continuam a ser atingidas nas suas casas, escolas, espaços de lazer e comunidades.
A violência está também a dificultar a actividade das organizações humanitárias. Em Kherson, um ataque com um drone provocou, no domingo, um incêndio num armazém da Cruz Vermelha Ucraniana, sem causar feridos entre os trabalhadores ou voluntários. Apesar dos riscos, as Nações Unidas e os seus parceiros continuam a prestar assistência às populações afectadas, incluindo primeiros socorros, alimentação, apoio psicossocial, protecção infantil e ajuda financeira.
O UNICEF apelou ao fim dos ataques que provocam vítimas entre as crianças e pediu o cumprimento integral do direito internacional humanitário e das obrigações de protecção da população infantil e das infraestruturas civis. A organização mantém ainda programas de apoio psicológico às crianças e famílias afectadas pela guerra e está a reabilitar escolas utilizadas como abrigos, numa tentativa de permitir o regresso das crianças às aulas presenciais.