O Unicef alertou esta semana que a Ucrânia atravessa “o momento mais crítico, difícil e grave” desde o início da guerra, enfrentando temperaturas que descem abaixo dos -20ºC e uma grave falta de eletricidade e aquecimento. De acordo com Kenan Madi, chefe de operações de campo do Fundo da ONU para a Infância no país, centenas de milhares de pessoas em grandes cidades como Kyiv e Kharkiv estão sem calor, com escolas encerradas e crianças expostas a riscos de doenças e isolamento.
A crise agrava-se devido a ataques recorrentes a infraestruturas críticas de energia e aquecimento, que deixaram distritos inteiros sem eletricidade. Em Kyiv, por exemplo, cerca de 700 mil habitantes perderam acesso a aquecimento central, essencial em prédios de vários andares. Muitas crianças com deficiência e mobilidade reduzida enfrentam isolamento total, incapazes de se deslocar sem eletricidade para elevadores ou transportes adequados, segundo relatos do Unicef.
Para mitigar os efeitos do frio extremo, a agência da ONU tem implementado uma resposta de inverno em larga escala. Mais de 200 mil pessoas receberam apoio financeiro direto, incluindo cerca de 98 mil crianças. Cerca de 1,5 mil escolas receberam subsídios para comprar equipamentos de aquecimento, e geradores e soluções energéticas alternativas foram distribuídos a famílias e serviços públicos de água e aquecimento, garantindo algum conforto temporário e acesso a eletricidade.
Madi alertou ainda que a situação afeta não só as crianças, mas também os pais, trabalhadores humanitários e toda a economia local. Segundo ele, “as guerras não trazem nada de bom para uma criança”, reforçando que a prioridade deve ser um futuro de paz. Até lá, o Unicef continuará a trabalhar para manter o apoio às famílias e garantir proteção, calor e esperança para os mais vulneráveis durante este inverno extremo.