A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou novas garantias para tentar convencer a Bélgica a apoiar o empréstimo de reparação para a Ucrânia, mas Bruxelas continua a opor-se. O plano prevê usar os saldos de caixa dos ativos russos congelados na UE — cerca de 185 mil milhões de euros, maioritariamente depositados na Euroclear, em Bruxelas — para financiar uma linha de crédito de juros zero para Kiev, que só seria reembolsada quando a Rússia aceitasse pagar indemnizações de guerra.
A Bélgica alerta para riscos “desastrosos”, incluindo retaliações de Moscovo e a possibilidade de as sanções que congelam os ativos serem levantadas por veto de um único Estado-membro.
O ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot, classificou o empréstimo como “a pior opção” e exige garantias financeiras que excedam largamente o valor total dos ativos.
Von der Leyen propôs contributos bilaterais dos Estados-membros, apoio do orçamento da UE e salvaguardas jurídicas contra expropriações por países alinhados com Moscovo. Mesmo assim, a Bélgica mantém a objeção e defende antes o recurso a dívida conjunta europeia, opção rejeitada pela maioria dos Estados-membros devido ao impacto imediato nos orçamentos nacionais.
A decisão final será tomada na cimeira de 18 de dezembro, numa altura em que a Ucrânia avisa que precisará de nova ajuda externa já na primavera.
O debate europeu decorre também sob a pressão das negociações internacionais de paz e do impasse sobre o destino futuro dos ativos russos bloqueados.