As detecções de travessias irregulares nas fronteiras externas da União Europeia caíram 26% em 2025, totalizando cerca de 178 mil casos, segundo dados preliminares da Frontex. O número representa menos de metade do registado em 2023 e o nível mais baixo desde 2021, sinalizando uma redução significativa da pressão migratória sobre o bloco europeu.
Apesar da tendência positiva, a agência alerta que a situação nas fronteiras permanece volátil. Conflitos, instabilidade regional e redes de contrabando continuam a influenciar rapidamente as rotas migratórias, além de existirem tentativas de atores hostis de instrumentalizar os fluxos migratórios para pressionar as fronteiras da UE. Para a Frontex, a queda não elimina os riscos nem justifica um abrandamento da vigilância.
O ano de 2026 será determinante para a política migratória europeia, com a entrada em vigor plena do Pacto da UE sobre Migração e Asilo em junho. O período também será marcado por mudanças estruturais na gestão das fronteiras, incluindo a implementação total do Sistema de Entrada/Saída (EES) e o lançamento previsto do ETIAS, reforçando os controlos e a preparação operacional da União.
Em termos de rotas, o Mediterrâneo Central manteve-se como a principal via de entrada, enquanto a rota da África Ocidental registou a maior queda, com uma redução de cerca de dois terços. Já o Mediterrâneo Ocidental apresentou aumento das detecções, sobretudo devido a mais partidas da Argélia. No mar, os riscos humanitários continuam elevados: pelo menos 1.878 pessoas morreram no Mediterrâneo em 2025, levando a Frontex a sublinhar a importância da cooperação internacional e do reforço das operações de vigilância e salvamento.