Guerra na Ucrânia é a maior ameaça global à segurança nuclear, alerta AIEA

A guerra na Ucrânia continua a representar a maior ameaça mundial à segurança nuclear, devido à fragilidade persistente do fornecimento eléctrico às centrais nucleares do país. O alerta foi lançado esta sexta-feira pela Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), que sublinha o risco crescente de acidentes nucleares num contexto de conflito prolongado e ataques contínuos às infra-estruturas energéticas.

Durante uma reunião do conselho de governadores da agência, em Viena, o director-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, afirmou que, após quase quatro anos de guerra, as instalações nucleares ucranianas operam num ambiente altamente degradado. Segundo Grossi, sem uma alimentação eléctrica externa estável, nenhuma central nuclear pode garantir condições mínimas de segurança, mesmo quando se encontra desligada.

A situação é particularmente crítica na central nuclear de Zaporijjia, a maior da Europa, actualmente parada mas totalmente dependente de electricidade para o arrefecimento dos reactores e do combustível usado. Nos últimos meses, a AIEA mediou vários cessar-fogos temporários para permitir a reparação de linhas eléctricas danificadas, tendo a central sido recentemente reconectada à sua última linha de reserva, após semanas de interrupção.

Os riscos estendem-se a outras instalações, como Tchernobyl, onde danos em sub-estações obrigaram ao recurso a geradores de emergência. A AIEA mantém equipas no terreno para monitorizar centrais e infra-estruturas críticas, mas sublinha que apenas o fim do conflito poderá garantir, de forma duradoura, a segurança nuclear e a protecção das populações na Ucrânia e em toda a região europeia.

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