O ouro está a registar um desempenho excecional em 2025, tornando-se o ativo preferido dos investidores num contexto de incerteza económica e política. A onça atingiu novos máximos históricos acima dos 3.600 dólares (3.080 euros), acumulando ganhos de quase 40% desde janeiro — o melhor ano desde 1978.
Em contrapartida, as obrigações perderam atratividade.
Os títulos soberanos europeus recuam cerca de 20% desde 2020 e os do Tesouro norte-americano de longo prazo valem hoje metade. Em 2025, os índices obrigacionistas europeus já caíram 2%, pondo em causa a tradicional estratégia 60/40, que mistura ações e obrigações como forma de proteção.
A inflação persistente e o aumento da dívida pública tornam difícil para os mercados obrigacionistas oferecerem o papel defensivo de outrora.
O ouro, sem correlação direta com outras classes de ativos e imune a riscos institucionais, assume assim o papel de porto seguro.
A tendência é reforçada pelas compras agressivas de bancos centrais, sobretudo em países emergentes como China, Índia e Turquia, que procuram reduzir a dependência do dólar. Só este ano, o maior fundo cotado em ouro físico captou mais de 11 mil milhões de dólares em novos investimentos.
Analistas do Goldman Sachs antecipam que o metal possa atingir os 4.000 dólares (3.410 euros) por onça até meados de 2026, refletindo a procura crescente e a perda de confiança nas obrigações como proteção contra riscos económicos e políticos.