A primatóloga Jane Goodall, considerada uma das mais influentes cientistas e ativistas ambientais do último século, morreu esta quarta-feira, aos 91 anos, por causas naturais, anunciou o Jane Goodall Institute. A investigadora encontrava-se na Califórnia, durante uma digressão de conferências.
Reconhecida mundialmente pelo trabalho inovador com chimpanzés na Tanzânia desde os anos 1960, Goodall revolucionou a ciência ao documentar o uso de ferramentas, a complexidade social e as personalidades únicas destes animais, até então vistas como características exclusivamente humanas.
As suas descobertas mudaram para sempre a forma como a humanidade se relaciona com o mundo natural.
Mensageira da Paz da ONU, Goodall foi também uma incansável defensora da conservação e da educação ambiental, viajando pelo mundo até depois dos 90 anos para sensibilizar novas gerações. Recebeu inúmeras distinções internacionais, incluindo a Medalha Presidencial da Liberdade dos EUA (2025) e o Prémio Templeton (2021).
Nascida em Londres em 1934, o fascínio por animais marcou-a desde criança. Em 1960 iniciou, com o apoio do antropólogo Louis Leakey, o estudo de campo que a catapultaria para a fama científica. Mais tarde, concluiu doutoramento em Cambridge e fundou o seu instituto, hoje presente em vários países.
Para além da investigação, Goodall foi uma voz de esperança em tempos de crise climática, apelando à ação sem ceder ao pessimismo. Criou programas educativos, como o Roots & Shoots, e lançou campanhas globais em defesa da natureza.
Figura carismática, lembrada tanto pelo sotaque britânico como pelos característicos gritos de chimpanzé com que animava as suas palestras, deixa como legado uma mensagem clara: a paz com a natureza é essencial para o futuro da humanidade.