As Nações Unidas iniciaram, a 1 de Novembro, o encerramento da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sara Ocidental (MINURSO), após o fim das operações, na sequência da falta de renovação do seu mandato pelo Conselho de Segurança. O processo prevê o repatriamento de cerca de 160 observadores militares, a saída de 180 funcionários civis e o encerramento de 13 instalações.
O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, explicou que uma equipa reduzida ficará responsável por supervisionar o encerramento ordenado das instalações e a transferência dos bens da missão. Os trabalhos incluem ainda o desmantelamento dos sistemas de comunicação e apoio logístico, a gestão dos arquivos e o fecho dos contratos em vigor, mantendo-se o controlo administrativo, financeiro e de segurança durante todo o processo.
A MINURSO cessou as operações à meia-noite de 31 de Outubro, depois de 35 anos de presença no território. A decisão surge após o Conselho de Segurança não ter conseguido chegar a acordo sobre a renovação do mandato: um projecto de resolução apresentado pelos Estados Unidos foi vetado pela Rússia, enquanto a proposta russa não obteve os nove votos necessários à aprovação. O texto norte-americano defendia a continuidade da missão e colocava o plano de autonomia do Sara Ocidental sob soberania marroquina como base exclusiva para as negociações, enquanto Moscovo propunha uma prorrogação técnica por um ano, sem alterações aos objectivos da missão.
Criada em 1991, a MINURSO tinha como principais funções monitorizar o cessar-fogo e preparar um referendo que permitisse à população sarauí escolher entre a independência e a integração em Marrocos. A consulta nunca se realizou. No final do seu destacamento, a missão contava com pessoal civil, observadores militares e oficiais de mais de 35 países, dispondo de sede em Laâyoune, nove bases de operações e um gabinete de ligação em Tindouf.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, prestou homenagem aos membros da missão, incluindo os 20 funcionários que morreram ao longo das três décadas e meia de operações. O responsável sublinhou que o encerramento da MINURSO não põe em causa o direito inalienável do povo sarauí à autodeterminação e reafirmou a disponibilidade das Nações Unidas para apoiar uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável, através do enviado pessoal do secretário-geral, Staffan de Mistura. Guterres apelou ainda a todas as partes para que actuem com contenção e evitem medidas que agravem as tensões ou comprometam a estabilidade regional.