Um estudo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), revelou que as Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) oferecem uma vantagem decisiva para a recuperação das florestas de algas marinhas após ondas de calor extremo. A investigação, publicada no Journal of Applied Ecology da Sociedade Ecológica Britânica, analisou quatro décadas de imagens de satélite ao longo da costa da Califórnia e concluiu que as zonas protegidas favorecem a resiliência destes ecossistemas vitais.
Segundo a principal autora, Emelly Ortiz-Villa, as florestas de algas dentro das AMPs mostraram uma recuperação mais rápida após as fortes ondas de calor marinhas registadas entre 2014 e 2016, sobretudo no sul da Califórnia. Locais onde a pesca é restrita e predadores marinhos são preservados registaram um crescimento mais intenso, reforçando a importância destas áreas na mitigação de impactos climáticos.
As florestas de algas, presentes em litorais de várias partes do mundo, desempenham um papel essencial na proteção costeira, no sequestro de carbono e na manutenção da biodiversidade marinha. No entanto, têm sido cada vez mais ameaçadas pelo aquecimento dos oceanos, pela poluição e pela proliferação de ouriços-do-mar, favorecida pelo declínio das estrelas-do-mar, seus principais predadores.
Para os investigadores, os resultados mostram que, embora as pressões globais como as alterações climáticas sejam inevitáveis, medidas locais de conservação — como a criação e gestão eficaz de AMPs — podem aumentar a capacidade de resistência e recuperação destes ecossistemas, fundamentais para a saúde dos oceanos e das comunidades costeiras.