20 mil marinheiros presos no Estreito de Ormuz numa situação “sem precedentes”

Cerca de 20 mil marinheiros estão retidos no Estreito de Ormuz devido à escalada do conflito envolvendo o Irão, numa situação considerada “sem precedentes” desde a Segunda Guerra Mundial, alertou a Organização Marítima Internacional.

A crise tem impedido a livre circulação de cerca de 2.000 navios no Golfo Pérsico, incluindo petroleiros, navios de gás, cargueiros e cruzeiros. O estreito, por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás, é considerado uma rota estratégica vital para a economia global.

Segundo a agência das Nações Unidas, os tripulantes enfrentam condições extremas após semanas de ataques e confinamento a bordo. Desde o início do conflito, há cerca de um mês, foram registados pelo menos 19 ataques a navios, resultando em sete mortos, oito feridos e cinco desaparecidos.

A Organização Marítima Internacional está a tentar negociar soluções para retirar os marinheiros em segurança, apelando a um cessar-fogo urgente. Entre as dificuldades está a substituição das tripulações, que exigiria voluntários dispostos a entrar numa zona de guerra ativa.

Entretanto, a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes revelou ter recebido mais de mil pedidos de ajuda de tripulantes, que manifestam preocupação com as condições a bordo e solicitam repatriamento.

Apesar de algumas operações de abastecimento estarem a ser asseguradas por empresas na Arábia Saudita e em Omã, a circulação permanece extremamente limitada: de cerca de 150 navios por dia antes do conflito, passaram a apenas quatro ou cinco.

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