No final do mês passado, a Amnistia Internacional, organização focada em direitos humanos, publicou um relatório detalhado sobre os ataques feitos por Israel contra o Líbano durante a guerra com o Hezbollah e concluiu que há provas suficientes para incriminar o estado Israelita de crimes de guerra.
Segundo a organização, mais de 10 mil estruturas civis foram destruídas ou seriamente danificadas por Israel durante a guerra e o cessar-fogo, vigente desde Novembro de 2024. A diretora sénior da Amnistia Internacional, Erika Guevara Rosas, emitiu um comunicado onde afirmou que “as tropas Israelitas deixaram deliberadamente um rasto de devastação à medida que se deslocavam pela região, tornando áreas inteiras inabitáveis e arruinando inúmeras vidas”.
A linguagem usada neste relatório é incisiva onde o governo Israelita é explicitamente acusado de destruir propriedade civil e campos agrícolas de forma deliberada. Alguns métodos ilegais de destruição são também descritos no relatório, como o uso de explosivos colocados manualmente e escavadoras para devastar estruturas civis, incluindo casas, mesquitas, cemitérios, estradas, parques e campos de futebol, em 24 municípios.
A Amnistia Internacional realçou também que muita da destruição levada a cabo pelo exército Israelita em território Libanês foi efetuada fora do contexto de combate e na ausência de necessidade militar imperativa, constituindo assim um caso flagrante de violação do Direito Internacional Humanitário.
As localizações no sul do Líbano afetadas pelos ataques ilegais Israelitas destacadas no relatório incluem Kfar Kila (onde 1.300 estruturas foram destruídas), Maroun el Ras (onde tropas Israelitas foram avistadas a erguer uma bandeira de Israel, entre a destruição infraestrutural de 700 edifícios), Odeisseh (cuja devastação incluiu danos num cemitério e de uma mesquita), Aita Ash-Shaab (uma vila com mais de 1000 edifícios destruídos, alguns deles identificados pelas forças Israelitas como “localizações terroristas”) e Dhayra (que teve 71% de todas as estruturas municipais devastadas pelos ataques ilegais Israelitas).
No final do relatório, a Amnistia Internacional apontou algumas recomendações, como a exigência às autoridades Israelitas para “fornecer reparações rápidas, completas e adequadas a todas as vítimas de violações do direito internacional humanitário e de crimes de guerra, tanto indivíduos como comunidades inteiras.”
Apesar das provas apresentadas neste relatório (que incluem depoimentos de alguns cidadãos residentes nas vilas afetadas e referências a vídeos que mostram tropas Israelitas a celebrar a destruição deliberada nas suas operações militares), a organização não conseguiu obter uma resposta oficial por parte do estado de Israel para justificar as suas ações criminosas ou garantir medidas de compensação.
A Amnistia Internacional apelou ainda ao Governo Libanês para usar os dados neste relatório para tomar ações legais contra Israel e exigir justiça e compensações, rematando que “o Governo Libanês deve explorar imediatamente todas as vias legais possíveis, incluindo o estabelecimento de um mecanismo interno de reparação e a exigência de reparação às partes em conflito. O Governo deve também reconsiderar a concessão de jurisdição ao Tribunal Penal Internacional para investigar e julgar os crimes previstos no Estatuto de Roma cometidos em território Libanês.”
João Sousa, a partir do Sul do Líbano para a e-Global