A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para a situação de crise na Faixa de Gaza, numa altura em que os relatórios dos colaboradores das organizações humanitárias indicam que a insegurança alimentar está a aumentar.
O relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) revela que a fome deve atingir as províncias do norte, em poucas semanas. Os dados do relatório de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar revelam que “toda a população” de Gaza, cerca de 2,3 milhões de pessoas, enfrenta altos níveis de insegurança alimentar “aguda”, incluindo o 1,1 milhão de pessoas que sofrem de insegurança alimentar “catastrófica”.
Os dados mostram que a insegurança alimentar aguda na Faixa de Gaza “se aprofundou e se ampliou”. Estima-se que cerca de 79% de habitantes de Gaza sofram de “níveis catastróficos de fome” e que, até julho, cerca de 92% seja atingida.
Segundo a FAO, nas províncias do norte, em quase dois terços dos lares, as pessoas passaram dias e noites inteiros sem comer, pelo menos, 10 vezes nos últimos 30 dias. Nas províncias do norte, uma em cada três crianças com menos de dois anos de idade está gravemente desnutrida.
Na última semana, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou que a desnutrição com risco de morte é um problema que afeta a vida das crianças, tendo sido registadas, desde outubro, 27 mortes de crianças devido à fome.
A Unicef avançou que, desde o início do conflito, já foram mortas mais de 13 mil crianças, em Gaza, e alerta ainda que muitos bebés e jovens estão gravemente subnutridos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, tem apelado repetidamente por um cessar-fogo imediato e acesso humanitário total. Para o responsável máximo da ONU, este “desastre é inteiramente causado pela ação humana” e é uma evidência chave da necessidade de suspender imediatamente os combates no enclave.
Guterres pediu às autoridades israelitas que permitissem o acesso total e irrestrito de produtos humanitários em Gaza e que a comunidade internacional apoie totalmente os esforços humanitários para “prevenir o impensável, inaceitável e injustificável.”
Os bombardeamentos em Gaza cortaram o fornecimento de água, alimentos e combustível, debilitando ainda mais o frágil sistema de saúde. Todos os setores relacionados com a alimentação e a produção de alimentos “entraram em colapso”, incluindo a produção de vegetais, a produção de gado e a pesca.