A Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou que a violência na Cisjordânia e a expansão dos colonatos israelitas continuam a intensificar-se, dois anos após o parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça, que considerou ilegal a ocupação israelita do território. A ONU apelou à comunidade internacional para intervir e trabalhar no sentido de pôr termo à ocupação, denunciando um aumento dos ataques contra a população palestiniana e das medidas de anexação.
Segundo a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani, colonos israelitas e forças de segurança têm atuado frequentemente em conjunto, atacando comunidades palestinianas, agredindo famílias, destruindo e confiscando bens e incendiando mesquitas. Desde a semana passada, pelo menos oito palestinianos, incluindo uma criança, e dois militares israelitas morreram na Cisjordânia. A ONU refere ainda que as restrições à circulação se tornaram mais severas, dificultando o acesso da população a serviços essenciais.
O ACNUDH manifestou igualmente preocupação com a decisão do Governo liderado por Benjamin Netanyahu de autorizar a expansão de colonatos na Cisjordânia, bem como com declarações de responsáveis israelitas que apelam a represálias e punições coletivas contra os palestinianos. O alto comissário Volker Türk instou os Estados a adotarem medidas para travar as mortes, as expropriações e a escalada da violência no território ocupado.
Também o Conselho de Segurança das Nações Unidas foi informado sobre a rápida deterioração da situação. O representante adjunto da ONU para o Médio Oriente, Ramiz Alakbarov, alertou para o aumento dos ataques de colonos, sobretudo nas regiões de Nablus, Qalqilya e Jenin, e para o agravamento da insegurança. A Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários advertiu ainda que uma eventual tomada de controlo de um quarto campo de refugiados pelas forças israelitas poderá ter consequências humanitárias graves, depois de operações anteriores terem provocado o deslocamento de mais de 30 mil pessoas.
Entretanto, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente denunciou uma nova incursão das forças israelitas no Centro de Formação de Kalandia, em Jerusalém Oriental, a segunda em menos de um mês. Segundo a agência, militares israelitas confinaram estudantes e funcionários durante a operação, numa ação que, de acordo com as Nações Unidas, viola a inviolabilidade das instalações da organização e dificulta ainda mais a prestação de assistência humanitária à população palestiniana.