Comissão da ONU acusa Israel de crimes contra a humanidade na Cisjordânia e alerta para continuidade do genocídio em Gaza

Uma comissão independente de investigação das Nações Unidas acusou Israel de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo extermínio, perseguição, tortura e violência sexual contra a população palestiniana na Cisjordânia ocupada. Num relatório divulgado a 26 de Outubro de 2026, o organismo alertou ainda para a continuidade de actos de genocídio na Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo acordado em Outubro de 2025.

Segundo a Comissão Internacional Independente de Investigação, criada em 2021 pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, a violência na Cisjordânia aumentou significativamente desde o início da guerra em Gaza. Entre 2008 e Outubro de 2023, seis palestinianos morreram em ataques aéreos israelitas naquele território, enquanto outros 254 perderam a vida em menos de três anos. Os investigadores consideram que as operações militares e os ataques de colonos integram um padrão sistemático de violência e deslocação forçada da população palestiniana.

O relatório destaca também o impacto sobre as crianças, acusando as forças israelitas de provocarem deliberadamente mortes, ferimentos graves e traumas psicológicos entre os menores. A Comissão denuncia igualmente casos de violência sexual e aponta para o agravamento da crise humanitária. Desde Janeiro de 2025, as operações militares terão provocado a maior deslocação de palestinianos na Cisjordânia desde a guerra de 1967, mantendo-se 34.176 pessoas deslocadas em Agosto de 2026. Separadamente, o Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou o deslocamento forçado de mais de 2.000 palestinianos numa operação em Hebron, bem como a demolição de habitações e estabelecimentos comerciais.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou igualmente preocupação com a expansão dos colonatos israelitas, as expulsões e o aumento das agressões contra famílias palestinianas. O responsável alertou para a criação de condições que agravam o risco de limpeza étnica. Israel, por sua vez, rejeitou as acusações, classificando-as como uma campanha de desinformação destinada a demonizar o país. Na Faixa de Gaza, a Comissão considera que persistem actos genocidas, apesar do cessar-fogo, e alerta para os riscos enfrentados pelos civis junto da chamada «linha amarela», que delimita as posições militares israelitas no enclave.

Embora as conclusões da Comissão não constituam uma sentença judicial, poderão contribuir para futuras investigações e processos internacionais. O organismo pede o fim da ocupação israelita, o desmantelamento dos colonatos e a devolução dos territórios confiscados, em linha com a opinião consultiva emitida pelo Tribunal Internacional de Justiça em Julho de 2024. Guterres reiterou, por seu lado, que uma paz duradoura exige o reconhecimento do direito do povo palestiniano à autodeterminação, numa altura em que a evolução no terreno continua a colocar obstáculos à concretização da solução de dois Estados.

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