O agravamento do conflito no Médio Oriente está a provocar uma nova crise energética global, com impactos particularmente severos nos países mais vulneráveis, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.
A quase paralisação da navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo, levou a uma redução significativa no fornecimento de energia, fazendo disparar os preços. O petróleo Brent mantém-se acima dos 100 dólares por barril.
A crise teve início há cerca de um mês, após bombardeamentos conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão, desencadeando um conflito regional mais amplo e perturbando cadeias globais de abastecimento.
Segundo a UNCTAD, o impacto vai além da energia, afetando também o transporte, os alimentos e os fertilizantes, essenciais para as economias em desenvolvimento. O aumento dos preços da energia deverá refletir-se rapidamente nos preços dos alimentos, elevando o risco de fome em várias regiões.
Entre os países africanos, Angola e Moçambique são apontados como exportadores de petróleo. No entanto, especialistas alertam que os ganhos poderão ser limitados, uma vez que muitos destes países não possuem capacidade de refinação e continuam dependentes da importação de combustíveis refinados a preços elevados.
A maioria dos países menos desenvolvidos permanece fortemente dependente de importações energéticas e alimentares. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura indicam que várias destas nações importam mais de 30% dos cereais que consomem e chegam a gastar mais de metade das suas receitas de exportação na compra de alimentos.
Especialistas alertam ainda que o elevado nível de endividamento destes países limita a capacidade de resposta à crise, podendo obrigar as populações a enfrentar aumentos significativos nos preços da energia e dos bens essenciais.