Na madrugada de terça-feira, membros oficiais da Flotilha Global Sumud (FGS) informaram através das suas redes sociais que um dos seus barcos tinha sido atingido por um ataque de drone enquanto se encontrava atracado no porto de Sidi Bou Said, na Tunísia.
De acordo com a organização ativista, o ataque fez danos no convés principal e no depósito subterrâneo, sem no entanto causar feridos entre os 6 tripulantes a bordo. Um dos vídeos que circularam nas redes sociais mostra um objeto a aterrar no barco em questão (intitulado ‘Família Madeira’ e que está sob a bandeira Portuguesa), e momentos depois, fumo e chamas a emergir da embarcação.
Entretanto, o Ministério do Interior da Tunísia afirmou que os relatos de um drone a atingir um barco no porto “não têm qualquer fundamento na verdade” e que o incêndio terá sido causado na própria embarcação. A Guarda Nacional Tunisina, por seu lado, afirmou que não tinham sido detetados drones na área afetada aquando do ataque. Porém, o Português Miguel Duarte (um dos ativistas presentes e que fazem parte da flotilha) testemunhou o incidente e disse ter visto um drone a pairar sobre a embarcação a poucos metros de altitude “antes de lançar uma bomba no convés dianteiro”.
Duarte foi um dos membros da embarcação que tratou de despertar o resto da tripulação (que se encontrava a dormir nessa altura) e iniciar o apagamento das chamas do incêndio decorrente da explosão do ataque. A política Portuguesa Mariana Mortágua, que também faz parte desta flotilha, fez um discurso no dia seguinte onde realçou o fato do barco atingido ter bandeira Portuguesa, apelando às autoridades nacionais para não só proteger os membros da tripulação (entre os quais encontra-se a atriz Portuguesa Sofia Aparício) mas também condenar os crimes de Israel (que, para já, não comentou o ataque contra o barco Família Madeira ou assumiu qualquer envolvimento no ataque).
Também no mesmo dia, a organização emitiu um comunicado oficial onde foi afirmado que “os atos de agressão com o objetivo de intimidar e sabotar a nossa missão não nos deterão. A nossa missão pacífica de romper o cerco a Gaza e de nos solidarizarmos com o seu povo continua com determinação e garra”.
Francesca Albanese, especialista em direito internacional e relatora especial da ONU, realçou que se for confirmado que o ataque foi efetuado por Israel, então o incidente constitui um ataque contra a Tunísia, já que o barco bombardeado encontra-se atracado num porto Tunisino.
A Flotilha Global Sumud, que tem delegações de 45 países e que conta com a participação de ativistas como Greta Thunberg e o Brasileiro Thiago Ávila (ambos com experiência prática neste tipo de missões e que acabaram ilegalmente detidos por Israel quando iam rumo a Gaza na flotilha anterior, há 4 meses atrás), é uma iniciativa internacional que procura quebrar o bloqueio naval a Israel e entregar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, devastada pela guerra, utilizando barcos civis e centenas de ativistas.
João Sousa, a partir do Líbano para a a e-Global