Fome em Gaza mantém-se em níveis críticos dois meses após o cessar fogo

Cerca de 77% da população da Faixa de Gaza continua a enfrentar insegurança alimentar aguda, e quase 101.000 crianças entre seis meses e cinco anos poderão sofrer de malnutrição aguda até outubro de 2026, alerta a ONU. Apesar de a propagação da fome ter sido evitada, a situação permanece crítica, dependendo de um acesso humanitário e comercial constante e ampliado.

O recente cessar fogo aumentou a chegada de ajuda humanitária, mas apenas satisfaz as necessidades básicas de sobrevivência. Mais de meio milhão de pessoas vivem em condições de emergência alimentar (Fase 4 do IPC), e cerca de 1.900 estão em situação de catástrofe (Fase 5), incluindo mulheres grávidas e lactantes que necessitam de tratamento. A destruição de meios de subsistência, com mais de 96% das terras agrícolas inacessíveis ou danificadas, agrava ainda mais a crise.

O acesso aos alimentos continua limitado e caro, com produtos nutritivos como frutas, legumes e proteínas escassos e muitas famílias dependentes da ajuda. O acordo de cessar fogo previa a entrada diária de 600 camiões de ajuda, mas a meta ainda não foi alcançada, enquanto a burocracia e restrições impostas dificultam o trabalho das ONG e o fornecimento de alimentos essenciais.

As condições extremas do inverno agravam a crise humanitária. Muitas famílias vivem em tendas que não resistem às chuvas e ventos, resultando em mortes de crianças por hipotermia e desabamentos de habitações danificadas pelos bombardeamentos. A ONU e organizações parceiras alertam que, sem o levantamento das restrições e garantias de acesso humanitário contínuo, a situação pode deteriorar-se ainda mais nas próximas semanas.

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