O acesso a alimentos na Faixa de Gaza registou melhorias significativas dois meses após o início do cessar-fogo, mas as condições de vida da população permanecem extremamente difíceis, alertou esta quinta-feira o Programa Alimentar Mundial (PAM). Em declarações a jornalistas a partir de Gaza, o representante da agência para a Palestina, Antoine Renard, sublinhou que, apesar dos progressos, a ajuda alimentar por si só não é suficiente para responder à crise humanitária.
Segundo o PAM, mais de um milhão de pessoas já receberam caixas de alimentos e farinha de trigo. Em parceria com o UNICEF, a agência está também a apoiar mais de 300 mil pessoas com programas de nutrição preventiva, destinados a evitar a desnutrição e a ajudar na recuperação de casos já identificados. Actualmente, a população consegue fazer, em média, duas refeições por dia, quando em Julho muitas famílias tinham acesso apenas a uma refeição diária.
Apesar destes avanços, Antoine Renard frisou que as condições de vida continuam “muito precárias”. O inverno, marcado pela chuva e pela elevada humidade, agrava a situação de milhares de pessoas que vivem em tendas improvisadas. Muitas famílias recorrem ao lixo e à madeira para cozinhar, enquanto enfrentam riscos constantes de doenças e insegurança, sobretudo entre os mais vulneráveis, como crianças e mulheres grávidas.
O PAM alertou ainda para os obstáculos persistentes à ajuda humanitária, defendendo a necessidade de acesso a zonas do norte de Gaza onde continuam operações militares. A ONU e os seus parceiros apelaram à comunidade internacional para pressionar Israel a remover entraves à assistência humanitária, advertindo que novas políticas e restrições podem comprometer seriamente a resposta humanitária e colocar em risco a sobrevivência de milhares de civis.