Gaza: Agências noticiosas alertam para o risco de morte por fome dos seus jornalistas

No curso dos últimos dias, diversos órgãos de comunicação social internacionais divulgaram comunicados oficiais para alertar para as condições altamente precárias que os respectivos jornalistas enfrentam em Gaza, inclusive exposição a fome.

A AFP chegou a realçar que os seus repórteres correm risco de morte por falta de acesso a comida, devido ao bloqueio humanitário imposto por Israel dentro da Faixa. A agência Francesa indicou ainda que nunca na sua longa história de cobrir conflitos houve uma situação em que os seus jornalistas passassem fome.

A Reuters e BBC também alertaram para os desafios extremos vividos pelos jornalistas em Gaza e apelaram a Israel para que permitisse a entrada e saída de repórteres da zona de guerra, uma possibilidade que continua inviabilizada por Tel Aviv. É de notar que desde o dia 7 de Outubro de 2023, Israel proibiu a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza – uma medida ainda em vigor.

Os relatos vindos do terreno são perturbantes. Um fotojornalista da AFP declarou que devido à subnutrição, já não tem forças físicas para cobrir os eventos em Gaza. Um outro jornalista, que trabalha para a Al Jazeera, confessou que está a sucumbir à fatiga e que teme que poderá morrer em breve devido à fome e sede.

A Al Jazeera, que assistiu a 5 dos seus jornalistas a serem mortos por Israel desde Outubro de 2023, juntou-se às outras agências noticiosas nos apelos a deixar entrar comida e água potável em Gaza e salientou ainda que os seus repórteres têm sido alvo de uma campanha de intimidação por parte das forças militares Israelitas no meio de um genocídio que tem afetado também as suas famílias residentes na Faixa.

Segundo Mostefa Souag, director-geral da Al Jazeera, “a comunidade jornalística e o mundo têm uma imensa responsabilidade; é nosso dever levantar a voz e mobilizar todos os meios disponíveis para apoiar os nossos colegas nesta nobre profissão. Se não agirmos agora, corremos o risco de um futuro em que poderá não haver mais ninguém para contar as nossas histórias. A nossa inacção ficará registada na história como um fracasso monumental na protecção dos nossos colegas jornalistas e uma traição aos princípios que cada jornalista se esforça por defender”.

João Sousa, a partir do Líbano para a e-Global

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