Um estudo de viabilidade em curso, apoiado por agências das Nações Unidas, está a avaliar a possibilidade de reutilizar parte dos cerca de 57 milhões de toneladas de escombros acumulados na Faixa de Gaza para projetos de reconstrução, incluindo a criação de aterros e possíveis ilhas artificiais ao longo da costa mediterrânica. A proposta integra vários cenários técnicos em análise para a recuperação do território fortemente destruído pela guerra.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a escala dos danos é sem precedentes, com cerca de três quartos da infraestrutura de Gaza destruída. A reciclagem dos escombros poderia reduzir a necessidade de novos materiais de construção e acelerar a recuperação urbana, mas os especialistas alertam que apenas uma fração do volume necessário para grandes projetos costeiros poderia ser obtida a partir dos detritos existentes.
O PNUMA estima que os projetos de recuperação mais ambiciosos exigiriam até 200 milhões de metros cúbicos de agregados, enquanto a reciclagem dos escombros de Gaza permitiria obter apenas cerca de 10 milhões de metros cúbicos utilizáveis. A agência sublinha ainda que parte significativa dos resíduos não pode ser reaproveitada devido à presença de materiais perigosos, como amianto, metais contaminados, resíduos industriais e possíveis restos mortais, o que exige triagem rigorosa antes de qualquer reutilização.
Apesar das limitações, as Nações Unidas indicam que alguns materiais poderiam ser usados em intervenções específicas, como reforço de quebra-mares, elevação de terrenos baixos e construção de estruturas costeiras. Equipas técnicas já trabalham na instalação de centros de reciclagem para transformar parte dos escombros em materiais de construção, embora o progresso dependa também do acesso a maquinaria pesada e condições de segurança no terreno.
O PNUMA destaca ainda que qualquer plano de reutilização de detritos deve respeitar normas ambientais e legais rigorosas, incluindo avaliações de impacto ambiental e considerações sobre património cultural destruído. A agência recorda experiências internacionais, como no Japão após o tsunami de 2011 e no Líbano após a guerra civil, onde os escombros foram parcialmente reutilizados, mas alerta que tais soluções exigem forte controlo técnico e político para evitar impactos ambientais e sociais adicionais.