O sistema de saúde da Faixa de Gaza está prestes a colapsar, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS), após uma nova onda de vítimas em massa junto a pontos de distribuição de ajuda alimentar. Segundo a organização, o Complexo Médico Nasser, em Khan Younis, está “totalmente sobrecarregado” com centenas de feridos, muitos deles baleados ao tentar obter comida.
A crise é agravada por mais de 100 dias sem entrada de combustível e a paralisação quase total da assistência médica: apenas 17 dos 36 hospitais funcionam parcialmente. A zona humanitária está a encolher rapidamente, com mais de 80% de Gaza sob ordens de evacuação, segundo o Dr. Rik Peeperkorn, representante da OMS no território palestiniano ocupado.
O atual modelo de distribuição de ajuda, coordenado por contratados militares privados e apoiado por Israel e EUA, tem gerado episódios repetidos de violência. A OMS identificou uma “correlação constante” entre os novos pontos de distribuição e os incidentes com muitas vítimas, e voltou a criticar o plano por não cumprir os princípios humanitários internacionais.
A ONU apela ao acesso imediato de ajuda humanitária, ao levantamento das restrições e à entrada urgente de suprimentos médicos e combustível. “Estamos caminhando na tênue linha entre a capacidade operacional e o desastre total, todos os dias”, alertou o cirurgião da OMS, Dr. Thanos Gargavanis, diretamente de Gaza.