Cerca de 800 mil pessoas — quase 40% da população de Gaza — vivem atualmente em locais vulneráveis a inundações, onde tempestades de inverno e chuvas intensas tornaram os abrigos inabitáveis, alertou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Muitas famílias, como a de Amina, lutam para proteger-se da água que se acumula nos abrigos improvisados, enquanto crianças e adultos enfrentam frio, lama e condições insalubres.
O aumento do sofrimento coincide com restrições significativas à ajuda humanitária. Em 30 de dezembro de 2025, Israel proibiu 37 organizações não-governamentais internacionais de operar na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, bloqueando cerca de 50 milhões de dólares em ajuda essencial. Como consequência, apenas 14.600 tendas foram entregues para 85 mil pessoas, deixando mais de 1,3 milhão sem abrigo adequado, com relatos de mortes de crianças e adultos devido a hipotermia, afogamento ou frio extremo.
OCHA também destaca que a presença militar israelense em grande parte do território impede o acesso a infraestruturas públicas, terras agrícolas e ao mar, tornando a assistência ainda mais difícil. Além disso, centenas de tendas e abrigos improvisados foram destruídos por ventos fortes ou danificados, e mais de 60 edifícios habitados em Gaza City correm risco de colapso.
Enquanto a crise humanitária se agrava, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, saudou a fase dois do plano de paz dos EUA, que prevê a criação de uma administração palestina transitória em Gaza. Guterres reforçou que qualquer iniciativa que alivie o sofrimento da população civil e apoie a reconstrução é positiva, reiterando o compromisso da ONU com a resolução do conflito e a solução de dois Estados, em conformidade com o direito internacional.