Guerra entre Gaza e Israel entra no terceiro ano com dor “indescritível”, alertam agências humanitárias da ONU

Dois anos após os ataques de 7 de Outubro de 2023, que deram início à guerra entre Israel e o Hamas, as Nações Unidas apelaram novamente a um cessar-fogo imediato, à libertação incondicional de todos os reféns e a um reforço urgente da ajuda humanitária a Gaza.

Enquanto prosseguem no Egipto as negociações em torno de um plano de paz proposto pelos Estados Unidos, a ONU afirma que “a dor é indescritível”, nas palavras do coordenador de ajuda humanitária, Tom Fletcher.

Fletcher recordou que dezenas de milhares de palestinianos foram mortos e que “centenas de milhares continuam a enfrentar a fome e o deslocamento”, enquanto mais de 1.250 israelitas e estrangeiros morreram nos ataques de 7 de Outubro e mais de 250 pessoas continuam reféns em Gaza.

O chefe da agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), Philippe Lazzarini, afirmou que a população de Gaza vive há “dois longos anos de destruição, medo e fome”, e reiterou o apelo à libertação de todos os detidos e à responsabilização por crimes cometidos durante o conflito.

As consequências humanitárias continuam devastadoras. Segundo o UNICEF, mais de 61 mil crianças foram mortas ou feridas desde o início da guerra — “um número inaceitável e estarrecedor”, disse Ricardo Pires, porta-voz da agência em Genebra. Um em cada cinco bebés nasce prematuro, e milhares de crianças sofrem de desnutrição grave e trauma psicológico. “Há bebés que partilham máscaras de oxigénio para sobreviver”, denunciou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que apenas 14 dos 36 hospitais de Gaza continuam parcialmente operacionais e que a fome está a espalhar-se para o sul do enclave. Desde janeiro, foram registadas 400 mortes relacionadas com desnutrição, incluindo 101 crianças, a maioria com menos de cinco anos. “A situação é catastrófica”, afirmou o porta-voz Christian Lindmeier, sublinhando que a ajuda continua bloqueada ou severamente limitada.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que o novo plano de paz norte-americano representa “uma oportunidade que não pode ser desperdiçada”. Após dois anos de trauma e destruição, concluiu, “é tempo de escolher a esperança”.

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